No Waste Challenge 2021 – os 10 finalistas brasileiros

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Finalistas brasileiros No Waste Challenge 2021
Fonte das imagens: What Design Can Do

O desafio No Waste Challenge busca repensar nossa relação com o lixo através do design sustentável e circular. O desafio é promovido pela What Design Can Do (WDCD) – uma plataforma holandesa de alcance global que incentiva o design e a criatividade a favor da transformação da sociedade – em parceria com a IKEA Foundation. A WDCD anunciou os 16 vencedores de 2021, que trazem soluções para enfrentar o desperdício e repensar o sistema linear de extração, produção e consumo. 
A edição do desafio No Waste Challenge contou com 1409 propostas de estudantes, designers e empreendedores do mundo todo, divididas nas 3 categorias de inscrição: extrair menos, produzir bem e descartar melhor. O No Waste Challenge também contou com uma sessão que explora as perspectivas brasileiras sobre o problema do lixo, com foco para projetos que enquadram o contexto e problemáticas das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. 
Dentre as ideias vencedoras, destacamos o Dapoda – Design Living Lab, o único projeto brasileiro na categoria, idealizado por docentes e estudantes da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP. O projeto propõe o upcycling dos resíduos da arborização e poda urbana, levando o prêmio na categoria sobre as perspectivas brasileiras e conquistando 10.000 euros em financiamento, além de um programa para acelerar o projeto.
Os outros nove finalistas do eixo Rio-São Paulo também representam a diversidade de ideias para o nosso contexto. Os finalistas apresentam os mais variados projetos – desde podcasts de educação ambiental para crianças até a criação de novos materiais biológicos para a indústria têxtil. 
A gente preparou um resumo desses projetos vencedores, pra você conhecer um pouco mais sobre essas transformações. Veja abaixo um pouquinho sobre cada um!
 

Comida invisível

 
A startup social Comida Invisível atua no combate ao desperdício de alimentos através de uma plataforma que conecta empresas com doações disponíveis e ONGs para recebê-las. Além de causar um impacto social positivo, a iniciativa evita o desperdício e mau gerenciamento de alimentos no Brasil, e reduz a emissão de gases do efeito estufa. Para isso, a plataforma digital do Comida Invisível, que funciona por geolocalização, fornece uma logística integrada e uma série de indicadores para empresas visualizarem e organizarem seus recursos por data, tipo de alimentos, volume doado e quantidade de pessoas beneficiadas.
O Comida Invisível nasce para conectar quem tem alimento com quem precisa, já que atualmente no Brasil, de um lado, desperdiçamos anualmente 23,6 milhões de toneladas de alimentos, e do outro, 28 milhões de pessoas passam fome em território nacional. O projeto contribui atualmente com 230 entidades brasileiras abastecidas pelas mais de 2000 pessoas cadastradas na plataforma e  já auxiliou na doação de mais de 60 toneladas de alimentos. Tudo isso com o simples cadastro na plataforma e uma média de espera de 8 minutos para conectar o doador ao donatário.

Comida Invisível
No Waste Challenge. Fonte: Comida Invisível

Contos da Capivara

 
O projeto Contos da Capivara é uma série de podcasts educativos voltados para a conscientização ambiental de crianças acima de 3 anos de idade idealizado pelas três irmãs do movimento Verdes Marias. Este movimento surgiu para inspirar e educar as pessoas para uma vida mais sustentável, através do poder das microrrevoluções, ou seja, de grandes mudanças a partir de pequenas ações do dia a dia. Durante seus trabalhos de conscientização nas redes sociais, as três irmãs decidiram criar uma série de podcasts ambientais, trazendo o assunto de forma lúdica ao público infantil brasileiro. 
Os oito episódios dos podcasts narrados pela personagem Clara, a Capivara, trazem temas como os plásticos nos oceanos, compostagem, reciclagem, consumismo, mudanças de hábito dentro de casa e a ideia de que “lixo não é lixo”.  Os podcasts unem a contação de histórias com os temas ambientais, música e efeitos sonoros, através de um conteúdo embasado por profissionais e escrito por autores brasileiros populares da literatura infantil. A proposta é educar o público infantil brasileiro sobre a sustentabilidade e estimular a imaginação das crianças, trazendo uma alternativa ao ambiente das telas e o isolamento social trazido pela pandemia do COVID-19.

Contos da Capivara
No Waste Challenge. Fonte: Verdes Marias.

Dapoda – Design Living Lab

 
O Dapoda – Design Living Lab é um dos 16 vencedores globais do No Waste Challenge, e propõem valorizar resíduos da poda urbana para experimentações de design em madeira. O Dapoda é uma iniciativa de estudantes e docentes da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP, que começou sua atuação com a valorização dos resíduos das madeiras provenientes da arborização e poda do próprio campus do Butantã em São Paulo.
No município de São Paulo, a manutenção da arborização urbana é responsável pela geração de 50 mil toneladas de resíduos por ano – com um total de 88 mil operações de poda na cidade apenas no ano de 2020. Dessa forma, as experimentações do Dapoda fornecem destinos mais nobres às podas tradicionalmente compostadas, como design de mobiliários domésticos e peças artísticas, que antes seriam enviadas para o aterro sanitário ou queimadas para geração de energia. Com o anúncio da seleção do projeto como um dos vencedores do No Waste Challenge 2021, o Dapoda se prepara para o programa de mentoria fornecido pela WDCD, entrando na fase de busca por potenciais parceiros e de seleção das experimentações mais promissoras.

Dapoda
No Waste Challenge. Fonte: Dapoda.

DORA

 
A DORA é uma composteira elétrica e compacta para processamento de resíduos orgânicos domésticos. Idealizada pela graduanda em Design de Produto Kyanne Alves, a DORA combina tecnologia, circularidade e design. O projeto simplifica e automatiza o processo da compostagem doméstica, tradicionalmente conhecido por ser uma atividade manual que demanda tempo e espaço. O sistema funciona com a adição dos alimentos, acionamento do processo por botões, aquecimento e reviro do composto para produção e coleta do adubo. Tudo de forma prática, rápida e compacta.
O projeto nasceu para resolver a falta de coleta e processamento de resíduos orgânicos por parte da prefeitura do Rio de Janeiro – e fechar o ciclo dos 1726 kg de alimentos descartados por minuto na cidade. O sistema da DORA utiliza a constante aeração e estabilização de temperatura para compostar até 4,5L de alimentos por vez, produzindo um fertilizante pronto em 21 dias. Além disso, contém um filtro de carvão que evita a liberação de maus odores ao ambiente. A composteira doméstica DORA apresenta um design atraente e compacto (com apenas 42 cm de altura), atendendo famílias de até 3 pessoas e aliando a circularidade ao estilo e ritmo da vida moderna.

DORA
No Waste Challenge. Fonte: DORA.

ECO Recicla

 
A ECO Recicla, iniciativa da organização socioambiental ECOlmeia, valoriza o importante trabalho dos catadores de materiais recicláveis, aprimorando a coleta seletiva e fornecendo conforto e segurança durante o processo. Em parceria com cooperativas de reciclagem, o programa oferece triciclos elétricos que melhoram o desempenho e qualidade de vida e trabalho dos catadores, capacitando-os a utilizar o equipamento de forma segura no trânsito. 
O programa ECO Recicla funciona com o cadastro das cooperativas, formação dos catadores e produção dos triciclos elétricos. A troca da tradicional carroça, movida por tração humana, pelo triciclo elétrico traz benefícios sócio-ambientais, tanto pela eficácia na coleta de materiais recicláveis quanto na promoção da higiene, saúde e conforto aos catadores. A capacitação dos catadores e facilitação do seu transporte acaba aprimorando a coleta seletiva, além de reconhecer e valorizar o trabalho dos catadores enquanto agentes essenciais da reciclagem no Brasil.

ECO Recicla
No Waste Challenge. Fonte: ECO Recicla.

Fibras de ágar biodegradáveis

 
As fibras de ágar desenvolvidas pela estilista Thamires Pontes são uma alternativa biodegradável, compostável e de baixo custo à indústria têxtil. O ágar é um polímero natural extraído das algas vermelhas do tipo Rhodophyceae, de grande abundância no nordeste do país. Após ser extraído das algas, o ágar em pó, que já é utilizado atualmente nas indústrias de cosméticos e alimentícia, passa por um processo em que se transforma em ágar em gel e, finalmente, nas fibras orgânicas e biodegradáveis.
A indústria têxtil e da moda é uma das mais poluentes do mundo, sendo responsável pela produção de resíduos não biodegradáveis, uso abundante de água e poluição do solo, ar e água. O projeto das fibras de ágar surge para oferecer um produto com resistência e aparência similares aos fios tradicionais de nylon e poliéster, mas com características circulares e sustentáveis. Além de ser biodegradável e circular dentro do ciclo biológico, a matéria prima é abundante na natureza, não tóxica e não alergênica, e o processo de produção das fibras é limpo, barato, fácil e não emprega grandes quantidades de água.

Fibras de ágar
No Waste Challenge. Fonte: Thamires Pontes.

Junibee

 
A Junibee é uma empresa criada em 2017 para oferecer soluções sustentáveis e práticas que diminuem o uso e descarte diário de plástico na cozinha. A empresa comercializa diferentes produtos naturais, veganos e biodegradáveis voltados para o armazenamento de alimentos e o uso pessoal, como sacolas de pano para compras, bag para verduras e hortaliças e coador de leite vegetal. A Junibee também é responsável por produzir o primeiro pano de cera vegano do Brasil, um substituto ao plástico filme feito a partir de algodão orgânico e ingredientes naturais como ceras vegetais, resina de árvore e óleo de jojoba. 
Reutilizável, biodegradável e compostável, o pano encerado da Junibee ajuda a diminuir o uso de plásticos de uso único e retorna de forma segura a biosfera, sendo totalmente compostado em 34 dias. O pano é moldado com o calor das mãos, podendo cobrir frutas, vegetais e recipientes da cozinha, e tem durabilidade de 6 meses a 1 ano em média. Além de trazer uma forma natural e reutilizável de embalar alimentos, a Junibee também trabalha com a reutilização dos têxteis dentro da empresa, garantindo o uso de todos os pedaços de tecido disponíveis nos seus diferentes produtos.

Junibee
No Waste Challenge. Fonte: Junibee.

Nuar

 
A Nuar é uma marca criada pelo laboratório de inovação da empresa de calçados Grendene para atuar como uma plataforma digital que busca melhores impactos. A iniciativa começou como uma comunidade no Instagram, para promover soluções e fornecer conteúdo sobre mudanças de hábitos de consumo. Os materiais disponibilizados procuram encorajar práticas sustentáveis dentro do lema “amanhã melhor que hoje”.
Os planos da Nuar são comercializar produtos e serviços de melhor impacto dentro da plataforma, sendo que o primeiro é uma linha de sandálias projetadas para a economia circular. A sandália Nuar, de longa durabilidade e design atemporal, utiliza 38% de materiais reciclados em sua composição e apresenta produção e distribuição local. Além disso, o ciclo fechado da sandália é garantido pela simplificação dos materiais, sistema de encaixe do produto e possibilidade de reciclagem conjunta pós uso, sem que seja necessário desmontar a sandália em partes.

Nuar
No Waste Challenge. Fonte: Nuar Grendene.

Oficina Circular

 
A Oficina Circular é um projeto desenvolvido pela Mundo Livres em parceria com a cooperativa de catadores carioca COOPAMA. A iniciativa prevê o desenvolvimento de produtos circulares junto de cooperativas a partir de insumos como plásticos e madeira. A Oficina Circular busca unir a experiência em tecnologias de reinserção de resíduos com os materiais recicláveis e catadores das cooperativas, aproximando as técnicas produtivas das cooperativas e gerando novas oportunidades de reaproveitamento desses materiais.
Atualmente existem cerca de 800 mil catadores no Brasil que auxiliam na coleta e reciclagem de 90% dos resíduos reciclados no país. O objetivo da Oficina Circular é encontrar novos valores e destinos para os materiais coletados, ensinando novas técnicas de reaproveitamento e valorizando o importante papel dos catadores enquanto atores na cadeia de reciclagem brasileira. Os processos incluem desde ações mais simples, como o aproveitamento direto de materiais, até técnicas mais complexas, como a reciclagem do plástico por termo compressão. 
A Oficina Circular busca implementar essas técnicas de reciclagem de acordo com a realidade de cada cooperativa, sendo que a primeira versão realizada com a COOPAMA identificou a madeira e o plástico como principais frentes de trabalho. Os resultados da oficina foram placas de plástico que podem ser empregadas na construção civil e no mercado de mobílias.

Oficina Circular
No Waste Challenge. Fonte: Mundos Livres.

Solo Embalagens

 
A solo embalagens é uma marca de embalagens de delivery ecológicas feitas a partir de folhas de palmeira secas. O produto é biodegradável, compostável e feito unicamente de folhas secas, não contendo resinas, colas nem químicos aditivos. As fibras naturais das folhas de palmeira apresentam propriedades ideais para as embalagens, como retenção de calor, resistência à água no curto prazo e ausência de cheiro ou gosto. Além disso, as embalagens são resistentes ao microondas, forno e freezer.
O Brasil é o maior produtor, consumidor e exportador de palmito no mundo, o que resulta em uma grande geração de resíduos da agricultura. O processo da Solo Embalagens é simples, limpo e escalável e emprega apenas um material: as folhas secas que caem das palmeiras. Após a coleta destas folhas secas, é realizada a lavagem e secagem ao sol do material para posterior prensagem de calor e distribuição da embalagem pronta para uso – e, com a destinação correta, esse material retorna à terra, fechando o ciclo biológico. Atualmente, a Solo Embalagens já está atuando no mercado carioca de restaurantes veganos e vegetarianos, com planos de escalar o projeto para o Brasil e abranger outros tipos de restaurantes no futuro.

Solo Embalagens
No Waste Challenge. Fonte: Solo Embalagens.

Menção honrosa: Oka Bioembalagens

 
Além dos 10 finalistas do eixo Rio-São Paulo do No Waste Challenge, vale destacar o trabalho da empresa brasileira Oka Bioembalagens, o único projeto nacional que conseguiu se classificar na lista de finalistas globais do desafio. Já falamos bastante por aqui sobre o trabalho inspirador da Oka, tanto no blog quanto no nosso livro digital gratuito 28 estudos de caso: design e inovação para a economia circular no Brasil e no mundo. 
A Oka Bioembalagens utiliza a fibra de mandioca como matéria prima para produzir embalagens biodegradáveis atóxicas, compostáveis e até comestíveis. Criada na UNESP de Botucatu, a Oka atua há mais de 15 anos no mercado de embalagens, fornecendo produtos livres de resinas sintéticas ou substâncias tóxicas e que podem ser compostadas ou utilizadas como ração animal. Os produtos da Oka também apresentam competitividade de mercado, já que são isolantes térmicos e resistem a temperaturas de até 200ºC. Dessa forma a Oka Bioembalagens consegue atender diversos setores do mercado, como cosméticos, eletrônicos e festas, ao mesmo tempo em que fecha o ciclo biológico das embalagens, nutrindo o solo e reincorporando esse material de forma segura na biosfera.

OKA Bioembalagens
No Waste Challenge. Fonte: OKA Bioembalagens.

E você? Quais projetos achou mais interessantes? 
 

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