Investindo na Economia Circular

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Desde a revolução industrial, nossa economia seguiu um modelo linear de “extrair, produzir e descartar”, gerando riqueza pelo consumo de recursos finitos. Ainda que energia e matérias-primas baratas tenham alimentado o sucesso econômico através do século 21, as recentes altas de preços e a volatilidade crescente têm revertido brutalmente essa tendência. O contexto mudou, mas o sistema continua o mesmo.

Muitos líderes empresariais e políticos argumentam que chegou a hora de mudar em direção a uma economia circular e regenerativa, que assegure, através do cuidado no design e gerenciamento de produtos e em modelos de negócios adaptados, que a própria ideia de lixo seja progressivamente abandonada. Uma economia circular garante que nós aproveitemos ao máximo nossos recursos preciosos e limitados, reutilizando ou remanufaturando produtos que antes teriam acabado no lixo. Ela faz sentido do ponto de vista ecológico e econômico, e os negócios e investidores têm muito a ganhar com esse modelo seguro e sustentável a longo prazo.

Em um mundo de recursos em esgotamento, onde o custo de materiais brutos vem crescendo e a demanda começa a exceder a oferta, empresas que não consigam separar seu faturamento de restrições de commodities vão se tornar cada vez mais vulneráveis. Contudo, negócios inovadores que encontrem formas de se adaptar a essa nova realidade e conscientemente empreendam a transição para fora e além do crescimento linear com base em volume podem contar com um futuro de sucesso sustentado e de longo prazo. Se você pudesse escolher entre comprar ações em uma empresa que depende somente de matérias primas virgens e uma que tenha construído um sistema de retorno em seu modelo de negócio para alimentar operações de remanufatura, qual escolheria?

Os investidores já estão enxergando o potencial da economia circular, tanto no curto prazo e nas promessas que traz como um modelo coerente de longo prazo. Eles entendem que as empresas que estão adotando a economia circular calcularam seus custos futuros e adaptaram seus modelos de negócios para garantir um crescimento sustentado, talvez migrando de um modelo baseado em vendas em direção a contratos de serviço. Esses modelos de negócio fazem mais sentido na perspectiva de um investidor.

Nas últimas décadas, o termo “investimento” tem sido usado como sinônimo para transações comerciais rápidas, perdendo todas as suas implicações de longo prazo – uma distinção fundamental que a economia circular pode ajudar a esclarecer, gradualmente trazendo a noção de futuro de volta ao investimento. O barulho ensurdecedor causado pela crise do sistema financeiro ainda ecoa em nossos ouvidos, mas como o economista Nicolas Bouzou escreve em seu último livro sobre a economia do futuro, “você consegue ouvir a árvore cair, mas não a floresta crescer”. A economia circular pode ajudar a plantar as sementes desse crescimento tão necessário.

Por Ellen MacArthur

Traduzido por Carla Tennenbaum

fonte: Circulate News, 2015. Publicado originalmente pelo Forum Econômico Mundial em janeiro de 2014.

leia o texto original em inglês: http://circulatenews.org/2015/04/investing-in-the-circular-economy/

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